O mercado ainda trata redes sociais como vitrine

Quando o mercado brasileiro fala de Gary Vaynerchuk, normalmente repete versões simplificadas: “poste mais”, “produza conteúdo”, “atenção é moeda”, “documente, não crie”.

O problema é que isso virou superfície.

GaryVee
Foto: jonesroadbeauty.com

A maioria consome Gary como um influenciador de marketing, quando na prática ele está há anos antecipando uma mudança estrutural muito maior: o fim da lógica de redes sociais como canal social e a transformação das marcas em sistemas de mídia baseados em atenção.

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    O ponto negligenciado não é “poste mais”. É entender que o ambiente mudou.

    A reflexão mais profunda é esta: Gary não está ensinando apenas marketing digital. Ele está ensinando adaptação à economia da atenção algorítmica.

    Isso muda completamente o jogo.

    O erro de quem ainda usa redes sociais como se fosse 2015

    Durante anos, empresas aprenderam uma lógica relativamente simples: Mais seguidores = mais alcance.

    Isso fazia sentido quando plataformas funcionavam majoritariamente por conexões sociais. Facebook, Instagram inicial e outras redes valorizavam quem você seguia.

    Só que esse modelo perdeu força.

    Presença digital
    Foto: Pexels.

    Hoje, plataformas são cada vez menos “social media” e cada vez mais “interest media”, conceito que Gary reforça há anos e que vem ganhando novas interpretações no mercado. O conteúdo não é mais distribuído prioritariamente pela sua base social, mas pela capacidade de gerar retenção, interesse e relevância algorítmica.

    Na prática, isso significa: Sua marca não compete só com concorrentes.

    Ela compete com:

    • Criadores
    • Humor
    • Notícias
    • Shorts
    • Reels
    • Memes
    • IA
    • Todo conteúdo capaz de capturar atenção

    Esse talvez seja um dos pontos mais subestimados do marketing atual.

    O problema não é só vender seu produto. O problema é merecer atenção antes disso.

    Gary Vee percebeu cedo que atenção vale mais que produto

    Uma das bases mais fortes da filosofia de Gary está no conceito de atenção subvalorizada.

    Historicamente, ele construiu essa tese observando transições de mídia:

    • Wine Library na era inicial do YouTube
    • Facebook Ads baratos antes da saturação
    • Instagram orgânico
    • TikTok no início
    • Shorts, creators e novas plataformas

    A lógica sempre foi parecida: Quem entende onde a atenção está migrando antes da maioria, paga menos para crescer.

    Isso parece simples, mas não é.

    Porque a maioria das empresas ainda pensa em campanha. Gary pensa em comportamento.

    Essa diferença é brutal.

    Enquanto muitos negócios perguntam: “Como anuncio melhor?”

    A lógica Gary Vee pergunta: “Onde a atenção ainda está barata e como construo relevância nativa nesse ambiente?”

    Isso é muito mais estratégico.

    GaryVee
    Foto: garyvaynerchuk.com

    Sua empresa talvez não precise de mais anúncios. Precise virar uma marca de mídia

    Esse é um dos insights mais valiosos.

    Grande parte das empresas ainda produz conteúdo como panfleto digital:

    • Promoção
    • Data comemorativa
    • Institucional
    • “Quem somos”
    • Produto

    Só que conteúdo competitivo não nasce disso.

    Na nova lógica, conteúdo precisa funcionar como infraestrutura de descoberta, relacionamento e conversão.

    Em outras palavras: Sua empresa precisa parar de agir apenas como anunciante e começar a operar como produtora de mídia.

    Isso significa criar:

    • Conteúdo de descoberta
    • Narrativas
    • Bastidores
    • Educação
    • Posicionamento
    • Relevância cultural

    A marca deixa de ser apenas uma fornecedora de produto.

    Ela passa a disputar espaço mental.

    E isso conecta diretamente com algo que a criem.cc vem reforçando: presença digital não é só existir online. É construir sinais consistentes de relevância.

    O conteúdo deixou de ser marketing. Ele virou ativo estratégico

    Aqui está uma mudança que muita gente ainda não absorveu: Conteúdo bem estruturado não serve apenas para vender hoje.

    Ele pode:

    • Reduzir CAC
    • Aumentar autoridade
    • Construir comunidade
    • Alimentar SEO
    • Fortalecer GEO/AEO
    • Preparar sua marca para IA generativa
    • Criar distribuição recorrente

    Ou seja:

    Um bom conteúdo não é só post. É patrimônio digital.

    Gary Vee, mesmo quando parece caótico, reforça constantemente essa visão de volume + teste + adaptação.

    Não se trata apenas de produzir mais.

    Trata-se de testar mais rápido, aprender mais rápido e ocupar mais pontos de atenção.

    O mercado ainda subestima o papel da velocidade de teste

    Outro erro comum é achar que estratégia é apenas planejamento.

    Gary frequentemente enfatiza execução em escala.

    Porque hoje, em ambientes algorítmicos, quem testa mais formatos:

    • Aprende mais rápido
    • Identifica padrões
    • Descobre retenção
    • Encontra narrativa
    • Reduz dependência de achismo

    Isso conversa diretamente com uma visão mais moderna de branding:

    Marca não é só identidade visual.
    Marca também é capacidade de adaptação cultural.

    Na prática, empresas lentas podem perder espaço não porque têm produto pior, mas porque aprendem mais devagar.

    Como transformar isso em ação na prática

    1. Pare de medir vaidade

    Não foque apenas em seguidores. Observe:

    • Retenção
    • Compartilhamento
    • Salvamentos
    • Alcance real
    • CTR
    • Leads

    2. Trate conteúdo como laboratório

    Cada post é teste. Cada formato é hipótese. Cada narrativa gera dados.

    3. Produza para interesse, não para ego da marca

    Pergunta central: “Isso é interessante o suficiente para competir com o feed?”

    4. Construa ativos próprios

    Gary sempre defendeu atenção, mas a maturidade atual exige também:

    • Blog
    • SEO
    • Newsletter
    • Base própria
    • Dados

    Porque depender só de plataforma é risco.

    5. Entenda seu negócio como ecossistema de mídia

    Sua empresa não vende só serviço. Ela vende percepção, confiança e recorrência de atenção.

    O que ninguém te explica sobre Gary Vee

    Gary não é apenas sobre redes sociais. Ele é sobre leitura antecipada de comportamento.

    Quem reduz sua filosofia a “poste muito” perde o principal: Ele está falando sobre adaptação estrutural à mudança de atenção.

    E isso vale para:

    • Web designers
    • Marcas
    • Infoprodutores
    • Indústrias
    • Negócios locais
    • Criadores

    No fundo, a pergunta central permanece: Sua marca está apenas tentando aparecer… Ou está aprendendo a competir por atenção de forma estrutural?

    Essa resposta pode definir quem cresce nos próximos anos.

    O próximo passo não é postar mais. É pensar diferente.

    O mercado ainda está cheio de empresas tentando otimizar formatos antigos em estruturas que já mudaram.

    Gary Vee entendeu algo essencial: Quando a distribuição muda, a estratégia inteira precisa mudar junto.

    Hoje, presença digital forte não nasce apenas de estética ou frequência.

    Nasce da combinação entre: Atenção + relevância + adaptação + ativos próprios.

    O problema é que muita gente ainda está operando como marca de 2018 em plataformas de 2026.

    E isso, cedo ou tarde, cobra seu preço.

    Referências e inspiração:

    Reflexões baseadas em conceitos difundidos por Gary Vaynerchuk e pela Letícia Vaz do canal LVTALKS, incluindo visões sobre atenção, conteúdo, distribuição e transformação de social media em interest-driven ecosystems, somado à análise a análise da criem.cc.

    Autor:

    Elisandro da Silva

    Idealizador da @criem.cc | Brand & Web Designer: @tossstudio

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