O Framer ficou caro ou a conta da IA finalmente apareceu

Framer vs. WordPress
Foto: Framer vs. WordPress

Durante anos o mercado se acostumou com uma ideia perigosa: a de que inteligência artificial era praticamente gratuita. Bastava abrir uma ferramenta, pedir para criar uma página, apagar, recriar, testar mais dez versões e continuar experimentando sem qualquer preocupação. O problema é que alguém sempre esteve pagando essa conta. Modelos como GPT, Claude e Gemini possuem custos reais de processamento, armazenamento e infraestrutura. O que está acontecendo agora é que plataformas como o Framer começaram a repassar parte desse custo para os usuários.

Hoje o plano Basic do Framer custa cerca de US$ 10 por mês quando contratado anualmente, enquanto o plano Pro gira em torno de US$ 30 mensais. Sozinhos, esses valores não assustam. O detalhe é que a utilização da IA passou a consumir créditos limitados, transformando algo que antes parecia ilimitado em um recurso que precisa ser administrado.

PlataformaEntrada mensal aproximadaIA incluída
Framer BasicUS$ 10Créditos limitados
Framer ProUS$ 30Mais créditos
WordPressGratuitoEscolha da IA
Hostinger BusinessA partir de poucos dólares por mêsOpcional
CloudflareGratuito ou ProOpcional

O que poucos perceberam é que o debate não é mais sobre qual plataforma cria páginas mais rápido. O debate passa a ser sobre qual estrutura continua sustentável quando o projeto deixa de ser uma landing page e se transforma em um negócio digital de verdade.

O que acontece quando o projeto cresce?

Criar uma landing page é fácil. Criar um portfólio também.

O desafio começa quando a empresa decide publicar conteúdo toda semana, criar páginas de produtos, cadastrar cases, estruturar categorias, trabalhar SEO, GEO, aparecer nas IAs e envolver diferentes departamentos na produção de conteúdo.

Nesse momento a pergunta deixa de ser “como criar?” e passa a ser “como administrar?”.

É justamente aí que boa parte dos projetos criados por IA começa a mostrar suas limitações. O layout ficou bonito. O código parece moderno. O resultado impressiona na apresentação. Mas seis meses depois surge uma dúvida simples: quem vai atualizar isso?

O comercial precisa publicar um case. O marketing quer criar uma nova página. O RH precisa divulgar uma vaga. A diretoria quer alterar informações institucionais. Se tudo depende de arquivos gerados por IA, alguém precisará abrir um editor de código, acessar o projeto, entender a estrutura e realizar alterações técnicas. O site foi criado rapidamente, mas a gestão do conteúdo continua complexa.

É por isso que o CMS continua extremamente relevante.

O mercado esqueceu do CMS

Durante a corrida da IA, muita gente passou a discutir apenas a velocidade de criação. O problema é que sites não são apenas páginas. Sites são organismos vivos que recebem atualizações constantemente.

Ninguém fala disso porque não é tão emocionante quanto ver uma IA gerando uma landing page em dois minutos. Mas para uma empresa, a capacidade de gerenciar conteúdo costuma ser mais importante do que a capacidade de criar a primeira versão do site.

É justamente por isso que WordPress, Drupal e outros CMS continuam relevantes mesmo em 2026. Eles foram criados para resolver um problema que continua existindo: permitir que empresas publiquem, organizem e atualizem informações sem depender de um programador para cada alteração.

Enquanto isso, muita gente está voltando para o WordPress

Existe um movimento silencioso acontecendo entre profissionais mais experientes.

Enquanto parte do mercado está fascinada por plataformas fechadas, outra parte está redescobrindo o valor das estruturas próprias. Não estamos falando daquele WordPress carregado de plugins, temas genéricos e hospedagens de baixa qualidade que ajudaram a criar uma má reputação ao longo dos anos.

Estamos falando de projetos modernos, construídos sobre o WordPress 7, utilizando Gutenberg como base, temas autorais, código próprio, integração com IA e uma arquitetura pensada para longo prazo.

Na TOSS, por exemplo, utilizamos IA diariamente. Ela participa da pesquisa, da arquitetura da informação, da produção de conteúdo, da prototipação e da otimização para SEO e GEO. Mas a IA não é a fundação dos projetos. A fundação continua sendo uma estrutura digital sólida.

Por isso seguimos desenvolvendo temas próprios, preparados para IA, com o mínimo possível de dependências externas. Quanto menos plugins críticos um projeto possui, mais previsível ele tende a ser no longo prazo. Segurança, performance e escalabilidade deixam de depender de dezenas de fornecedores diferentes e passam a fazer parte da própria arquitetura da solução.

O problema nunca foi o WordPress. O problema sempre foi a implementação.

Muitas das críticas feitas ao WordPress são, na verdade, críticas a projetos mal construídos.

Um WordPress hospedado em uma infraestrutura moderna, protegido por Cloudflare, executado em servidores de qualidade como Hostinger, configurado com boas práticas de segurança e utilizando código autoral tem muito pouco em comum com os exemplos ruins que costumam circular pela internet.

O mercado passou anos discutindo ferramentas.

Talvez esteja na hora de voltar a discutir estruturas.

Porque a IA consegue criar páginas.

Mas quem vai administrar esse conteúdo daqui a três anos? Quem vai organizar centenas de artigos? Quem vai alimentar as entidades que aparecem no Google e nas respostas das IAs? Quem vai manter a base digital da empresa crescendo?

Essa é a pergunta que realmente importa.

Faça parte da criem.cc

Receba conteúdos sobre presença digital, inteligência artificial, marketing e negócios criativos. Sem fórmulas mágicas, sem hype e sem spam.

1 e-mail por semana. Cancele quando quiser.


    Autor:

    Elisandro da Silva

    Idealizador da @criem.cc | Brand & Web Designer: @tossstudio

    Categorias em destaque

    Web Design (54) Gestão Criativa (43) Inteligência Artificial (39) Presença Digital (36) Ferramentas (19) Marketing (18) Aplicativos (17) Sites (14)
    TOSS Studio Footer