

Quando comecei a testar o Claude Code e o Codex, imaginei que o maior ganho estaria na programação. E, de fato, está. Hoje consigo transformar uma estrutura HTML em um tema WordPress funcional em muito menos tempo do que há poucos meses. Na TOSS, esse processo se encaixou muito bem porque já possuímos um tema próprio e uma estrutura organizada de template parts. A IA entende essa base rapidamente e consegue acelerar boa parte do desenvolvimento. Pela primeira vez em muitos anos, sinto que escrever código deixou de ser o principal gargalo na criação de um site.
Outra mudança que me chamou atenção foi a forma como passei a preparar os projetos antes mesmo de escrever uma linha de código. Um conceito que aprendi na Human Academy e que comecei a aplicar é a criação de um DNA da marca. Em vez de apenas informar cores, tipografia e logotipo, procuro definir personalidade, posicionamento, tom de voz, referências visuais, objetivos e princípios da interface. O Claude, inclusive, costuma organizar esse material em uma pasta de Intelligence, reunindo todas essas informações como uma espécie de documentação viva do projeto. Isso faz com que as próximas interações sejam muito mais consistentes, porque a IA passa a compreender o contexto da marca, e não apenas executar comandos isolados.
Esse processo lembra bastante a lógica de um Design System. Antes de pensar nas páginas, você organiza os princípios que vão orientar todas as decisões visuais e técnicas. Quanto melhor essa base é construída, melhores tendem a ser os resultados gerados pela IA.
Ao mesmo tempo, percebi que surgiu um novo desafio. A IA gera boas interfaces, mas elas ainda são interpretações do briefing. Mesmo enviando referências, identidade visual, DNA da marca e direcionamentos estratégicos, continuo sentindo falta daquele momento em que o designer experimenta a composição, move elementos, ajusta proporções e toma decisões visuais antes da programação começar. O código ficou muito mais rápido. O design continua exigindo direção humana.

Outra lição importante é que nem todas as ferramentas se comportam da mesma forma. Tenho utilizado tanto o Claude quanto o Codex, e cada uma apresenta vantagens e limitações. O Claude entrega resultados muito bons, principalmente na geração inicial e na qualidade das sugestões, mas seu limite de uso acaba interferindo diretamente no fluxo de trabalho. Dependendo da complexidade do projeto, preciso aguardar algumas horas até que a janela de utilização seja renovada, o que interrompe o ritmo de produção.
Com o Codex, minha experiência tem sido diferente. Tenho conseguido trabalhar por períodos muito maiores, realizando tarefas complexas como interpretação de layouts, refatoração de templates, organização de componentes e criação de estruturas completas em WordPress sem encontrar limitações relevantes até o momento. Isso me dá mais liberdade para iterar, testar ideias e evoluir o projeto sem precisar interromper o raciocínio. Ainda é cedo para afirmar qual será a melhor ferramenta no longo prazo, mas, hoje, o Codex tem se mostrado o ambiente onde consigo produzir com mais continuidade.
A próxima etapa dos meus testes não envolve mais programação. Ela envolve design. Minha ideia é utilizar o Claude para construir esse DNA da marca e gerar a direção inicial do projeto. Em seguida, quero levar essa proposta para o Figma, ajustar a interface manualmente, definir melhor a hierarquia visual e somente depois enviar esse protótipo refinado para o Codex transformar em HTML ou diretamente em um tema WordPress. Para mim, esse fluxo parece muito mais natural do que simplesmente aceitar a primeira interface gerada pela IA.

É claro que ferramentas como o Canva Design também caminham nessa direção e oferecem recursos interessantes de edição, mas ainda sinto falta do nível de controle que um editor profissional proporciona. Tenho a impressão de que o futuro da criação de sites não será escolher entre IA ou Figma, mas integrar os dois. O designer continuará responsável pelas decisões criativas, enquanto a inteligência artificial assumirá grande parte da execução técnica.
Essa ainda não é uma conclusão definitiva. É apenas o registro de alguém que está usando essas ferramentas todos os dias e tentando encontrar o fluxo mais eficiente. Talvez daqui a alguns meses eu mude completamente de ideia. Mas, neste momento, a principal lição é clara: a IA já acelerou o desenvolvimento. Agora estamos aprendendo a reinventar o processo de design.
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