A Pichau criou um energético para vender computadores. E acabou criando outra coisa

Pichau Energético
Foto: Pichau Energético

O que uma empresa conhecida por vender computadores e hardware ganha criando seu próprio energético?

No caso da Pichau, a resposta inicial era simples: marca.

Em entrevista ao Flow, João Carlos, fundador da Pichau, contou que o energético nasceu essencialmente como uma ação de marketing. A ideia era produzir uma lata própria que pudesse circular em eventos, aparecer nas mesas de clientes e criadores de conteúdo e manter a marca visível fora da tela.

A sacada é interessante porque resolve um problema comum a muitas marcas: o produto que a empresa vende nem sempre deixa a marca visível depois da compra.

O computador pode desaparecer. A marca não precisa

Quem compra uma placa-mãe, memória ou outro componente instala o produto dentro do computador. Em muitos casos, aquela marca praticamente desaparece da rotina visual do consumidor.

O energético faz exatamente o contrário.

A lata fica sobre a mesa. Pode aparecer em uma transmissão, em uma foto, em um vídeo ou durante uma gameplay. E, depois de consumida, outra lata pode ocupar seu lugar.

João explica justamente essa lógica na entrevista: enquanto muitos componentes ficam escondidos dentro do computador ou embaixo da mesa, o energético coloca a marca na frente das pessoas.

Isso transforma um produto aparentemente distante do negócio principal em um ponto de contato físico com a marca.

O produto de marketing virou produto de verdade

A parte mais curiosa da história é que a Pichau não começou o projeto necessariamente querendo entrar no mercado de bebidas.

Segundo João, foram produzidas inicialmente cerca de 300 mil latas, divididas em três sabores. A intenção era utilizar boa parte delas como marketing. Mas o produto foi colocado no próprio e-commerce e começou a vender.

E vendeu mais do que o esperado.

Na entrevista, João conta que aproximadamente 70% das latas acabaram sendo vendidas, enquanto cerca de 30% foram efetivamente utilizadas em ações de marketing. Ele relata inclusive ter recebido posteriormente um pedido de uma carreta de energéticos.

Hoje, o energético deixou de ser uma experiência isolada. A Pichau mantém uma categoria específica em seu e-commerce, com diferentes sabores, versões zero, packs e kits.

Ou seja: um ativo criado para divulgar a marca começou a desenvolver valor comercial próprio.

Pichau Energético
Foto: Pichau Energético

A marca entrou no cotidiano do público

Talvez esse seja o ponto mais interessante da estratégia.

A Pichau não escolheu qualquer produto promocional. Escolheu algo conectado ao comportamento de sua própria comunidade.

Computador, jogos, streaming, trabalho prolongado e energético já conviviam no mesmo universo cultural. O próprio fundador conta que a ideia surgiu porque ele e sua equipe consumiam Red Bull durante feiras e eventos.

A empresa simplesmente percebeu que poderia ocupar esse espaço com sua própria marca.

Isso explica por que a comunicação atual do Pichau Energy Drink continua associando diretamente o produto a gameplay, trabalho, performance e ao universo gamer.

Não é apenas colocar o logotipo da Pichau em uma bebida. É encontrar outro contexto no qual a marca consegue fazer sentido.

Marca não precisa ficar presa ao produto principal

Existe um aprendizado importante aqui para empresas menores.

Construir marca não significa necessariamente criar um energético, uma camiseta ou qualquer outro produto. O interessante no caso da Pichau é entender a lógica por trás da decisão.

A pergunta é: Onde a sua marca poderia continuar presente depois que a venda termina?

Pode ser uma embalagem, um objeto útil, um conteúdo, uma ferramenta digital, um evento ou uma experiência.

A Pichau vende tecnologia, mas encontrou uma maneira de colocar sua marca literalmente sobre a mesa do consumidor.

E quando um streamer aparece tomando aquele energético enquanto joga em um computador, diferentes partes do universo da marca começam a se conectar.

É nesse ponto que um simples produto promocional deixa de ser apenas merchandising.

Ele passa a construir memória de marca.

Daonde saiu isso:

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    itoss Autor:

    Elisandro da Silva

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